Reconhecimento e Dissolução de União Estável: O que Você Precisa Saber Antes que Seja Tarde
Muitas pessoas vivem em união estável por anos, compartilham uma vida inteira, constroem patrimônio juntos e, mesmo assim, deixam de formalizar a relação. À primeira vista, pode parecer apenas um detalhe burocrático, mas a verdade é que essa omissão pode gerar conflitos e prejuízos sérios no futuro — especialmente quando se trata da partilha de bens.
Se você vive com alguém e ainda não regularizou a união estável ou está encerrando uma convivência de anos, este conteúdo é para você.
O que é União Estável?
A união estável é uma forma reconhecida de família, prevista na Constituição Federal e no Código Civil. É caracterizada pela convivência pública, contínua e duradoura entre duas pessoas, com o objetivo de constituição de família.
Não é necessário “assinar” nenhum papel para que ela exista. Mas atenção: sem reconhecimento formal, os direitos podem ser colocados em risco.
Por que é importante reconhecer a união estável?
Mesmo sendo reconhecida pela lei, a ausência de formalização pode dificultar (ou até impedir) a comprovação dos direitos de cada parte em casos como:
- Separações;
- Heranças;
- Pensão por morte;
- E, principalmente, partilha de bens.
Um contrato de convivência ou a lavratura de escritura pública de união estável evita litígios e protege o patrimônio construído a dois.
Regularizar não é burocracia. É segurança.
Partilha de Bens: o ponto mais sensível
Durante a união, o casal costuma adquirir bens — imóveis, veículos, empresas, aplicações financeiras...
Sem formalização, o regime de bens padrão é a comunhão parcial, ou seja, tudo o que foi adquirido durante a convivência pode ser dividido meio a meio.
Mas nem sempre isso é justo. E nem sempre isso está claro. Sem prova da data de início da convivência, ou sem definição clara de quem contribuiu com o quê, os conflitos aumentam — e muito.
Já imaginou lutar por um direito após uma separação ou falecimento, sem nenhuma formalização que comprove sua união?
Como é feita a dissolução da união estável?
Se o casal não está mais junto, é possível formalizar a dissolução da união estável, inclusive com definição da partilha de bens, guarda de filhos e pensão alimentícia (se houver).
Isso pode ser feito:
- De forma extrajudicial (em cartório): quando há consenso e não existem filhos menores ou incapazes.
- De forma judicial: quando há filhos menores ou quando não há acordo sobre algum ponto.
Dissolver uma união sem resolver a questão patrimonial pode trazer consequências por muitos anos.
Por que agir agora?
Quanto mais tempo se passa sem formalizar a união ou a separação, mais difícil (e caro) pode se tornar o processo.
A informalidade deixa espaços abertos para disputas e prejuízos que poderiam ser evitados com uma simples escritura ou contrato.
Não espere um conflito ou uma perda para agir. Formalizar é um ato de responsabilidade, cuidado e proteção mútua.
Conclusão
A união estável é uma realidade para milhares de brasileiros — mas ainda é cercada de desinformação e descuido.
Regularizar sua situação é um passo essencial para garantir seus direitos e evitar dores de cabeça futuras.
Se você vive em união estável ou está encerrando uma relação, procure orientação jurídica. Com informação clara e apoio técnico, é possível proteger o que foi construído e seguir em paz com segurança jurídica.
Sobre a autora:
Polyana Claudino, advogada, OAB/MG 219.198. Para acompanhar mais conteúdos, siga no Instagram: @claudino.advocaciabh.
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