Quando o registro de paternidade pode ser anulado?
Erro de paternidade: quando o reconhecimento pode ser anulado?
Você sabia que o reconhecimento de um filho é, por regra, um ato irrevogável? Em determinadas situações, porém, a Justiça admite a anulação desse registro.
Em alguns casos, o reconhecimento é feito por engano seja por acreditar ser o pai biológico, por ter sido induzido a erro ou por confiar em informações incorretas. Essa situação, além de causar impacto emocional, pode gerar consequências jurídicas sérias para todos os envolvidos.
O cenário se torna ainda mais delicado quando há vínculo afetivo entre o pai registral e a criança. Afinal, é possível desfazer uma relação construída com afeto? E quando o registro foi feito de boa-fé, mas sem correspondência genética, existe alguma possibilidade de anulação?
O reconhecimento de paternidade só pode ser desfeito quando há prova de erro ou falsidade no registro e desde que não exista vínculo afetivo consolidado entre pai e filho. O arrependimento isolado não tem validade jurídica.
Nessas situações, é fundamental buscar orientação jurídica especializada e, se necessário, ingressar com ação judicial específica para corrigir o registro. Em qualquer hipótese, o que deve prevalecer é o melhor interesse da criança, respeitando tanto a verdade biológica quanto a verdade afetiva.
O Direito das Famílias busca equilíbrio entre justiça e humanidade, reconhecendo que a filiação envolve muito mais do que o nome no papel.
Por Polyana Claudino — advogada com experiência consolidada em Direito das Famílias.
Instagram: @claudino.advocaciabh
Fonte: Manual de Direito das Famílias — Maria Berenice Dias, 17ª edição, 2025.

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